Variação espacial da concentração de nutrientes e carbono das lagunas e lagoas costeiras do estado de Santa Catarina

Resumo

“A zona costeira ocupa apenas 13% da superfície da Terra, porém sustenta 30% da produção primária e 80% da produção pesqueira global. Apesar da sua importância, a zona costeira sofre grande pressão antrópica, visto que mais da metade da população global habita esta região. O aumento do fluxo de nutrientes é considerado um dos maiores problemas ambientais da atualidade, no entanto os trabalhos que tratam da qualidade da água dos ecossistemas costeiros do Estado de Santa Catarina (SC) são escassos ou inexistentes. Neste contexto, este estudo avaliou a concentração de nutrientes (ortofosfato, nitrato, N-amoniacal e silicato), carbono orgânico dissolvido (COD), biomassa fitoplanctônica (clorofila-a e feofitina-a) e parâmetros oceanográficos (profundidade, zona fótica, oxigênio dissolvido, temperatura, salinidade, pH e turbidez) nas águas de superfície e fundo de 5 lagunas de água salobra (Acaraí, Barra Velha, Camacho, Conceição e Laguna) e 5 lagoas costeiras de água doce (Arroio Corrente, Azul, Campo Bom, Faxinal e Peri) de SC em fevereiro de 2011.

A análise de correlação simples de Pearson foi utilizada para verificar se há correlação significativa (p<0,05 ou 5%) entre as variáveis. As lagunas apresentaram menores profundidades (2,9±2,2 metros) e zona fótica (2,3±1,7 metros), esta última associada (p<0,05; r -0,45) aos maiores valores de turbidez (22,2±26,9 NTU). A concentração de oxigênio dissolvido (5,7±5,7 mg.L-1) foi similar nos sistemas. No entanto, observou-se eventos de hipoxia e anoxia nas águas de fundo de 2 lagunas (Barra Velha e Conceição) e 2 lagoas (Arroio Corrente e Campo Bom). Estes eventos foram associados (p<0,05) com altas concentrações de ortofosfato (r 0,30) e N-amoniacal (r 0,33), indicando mineralização da matéria orgânica na água de fundo. O ortofosfato (0,5±0,8 mM) apresentou maior concentração nas lagunas. Já o nitrato (11,6±14,5 mM) apresentou maiores valores nas lagoas. O silicato (54,9±54,6 mM) e o N-amoniacal (24,0±39,6 mM) apresentaram concentrações semelhantes nos sistemas. A conexão com o oceano foi determinante na caracterização ambiental das lagunas, que apresentaram salinidade de 9,0±10,1 PSU, esta variável se correlacionou (p<0,05) com o nitrato (r -0,31) e a feofitina-a (r -0,25). As lagunas de SC são sistemas rasos e com presença de urbanização e agricultura no entorno. Estas características favoreceram o acúmulo de COD (560,5±702,0 mM) na coluna de água, devido a maior entrada e produção de matéria orgânica. A produção primária foi limitada pelo fósforo tanto nas lagunas (razão NP de 74±152) como nas lagoas (135±118), o que refletiu nos baixos valores de clorofila-a fitoplanctônica observados nos sistemas (1,1±1,6 mg.L-1). As lagoas apresentaram as maiores profundidades (5,5±2,8 metros) e condições predominantemente oligotróficas, os baixos valores de COD (322,6±171,4 mM) corroboram essa hipótese.

Este estudo mostrou que as lagunas e lagoas de SC possuem alta variabilidade espacial e que os sistemas sob maior influência das atividades antrópicas foram os mais impactados. O monitoramento destes ambientes se torna essencial para melhor entende-los e para o desenvolvimento de políticas públicas e de gerenciamento costeiro.”


Bárbara Pereira1, Alex Cabral2, Alessandra Fonseca3

  1. Universidade Federal de Santa Catarina (barbarap1.pereira@gmail.com)
  2. Universidade Federal de Santa Catarina
  3. Universidade Federal de Santa Catarina